quarta-feira, 29 de abril de 2015

A Dança como Terapia



Hoje é o Dia Mundial da Dança.
E para homenagear este dia tão especial para mim, não só porque é o dia do meu aniversário, mas também porque sou apaixonada por qualquer forma de dança, o meu artigo de hoje é sobre a Dança.
A dança é uma das três principais artes cénicas da Antiguidade, ao lado do teatro e da música.
Caracteriza-se pelo uso do corpo, seguindo movimentos previamente estabelecidos (coreografia) ou improvisados (dança livre).
Na maior parte dos casos, a dança, com passos cadenciados, é acompanhada ao som e compasso de música e envolve a expressão de sentimentos potenciados por ela.
A dança é uma manifestação instintiva do ser humano e desde os primeiros tempos da sua existência que o Homem se movimenta ritmicamente para se aquecer e comunicar (Romão & Pais, 2006).
A dança tem tido diversas faces e tem servido muitas necessidades ao longo dos tempos, quer seja, pela magia, rituais, religiosas, sociológicas ou educacionais. A dança tem sido uma expressão espontânea de sensações, tem sido cuidadosamente composta, tem sido desfrutada como uma atividade comum, tem sido representada como um espetáculo (Russel, 1969).
A dança pode ser representada por três fases distintas, no decurso da sua evolução, que ocorreu em diferentes espaços e culturas, com ordem e formas diferentes (Santos, 1997). Segundo a autora a primeira fase, a Dança Base ou Primitiva, tem início nos primórdios da humanidade, até aproximadamente ao século XVI.
A Dança Académica, corresponde à segunda fase, inicia-se no século XVII.
A Dança Contemporânea, terceira fase, surge no século XIX e vai até aos nossos dias.
Joyce (1994) afirma que a dança é uma AF única que trabalha de uma forma global a mente, o corpo e o espírito. Já para Santos (1997), a dança é uma AF que parte do corpo e do movimento, sendo portanto essencial ao desenvolvimento físico e motor do indivíduo. Surgindo como AF espontânea e natural, não deve ser travada, mas sim explorada, no sentido de favorecer o desenvolvimento e crescimento do homem.
O mesmo autor identifica também a dança como uma atividade que dá prazer a todo o ser humano que a pratica.
É uma forma de libertação de tensões, energias e emoções, o indivíduo adquire o seu equilíbrio psicofísico e, consequentemente, adapta-se e integra-se no meio que o envolve.
Desta forma, a dança apresenta-se como uma das atividades completas por concorrer de forma acentuada para o desenvolvimento integral do ser humano (Gariba & Franzoni, 2007).
Para estabelecer ou restabelecer uma melhor QV para os idosos, uma das melhores atividades terapêuticas é a dança.
Como AF, a dança talvez seja a mais completa de todas, por dar manutenção da força muscular, sustentação, equilíbrio, potência aeróbia, movimentos corporais de total amplitude de movimentos, e, mudanças do estilo de vida.
Além disso, a dança permite que idoso descubra a capacidade das suas articulações, o limite da sua força, o prazer de poder extravasar as suas emoções e os seus sentimentos através do seu corpo (Costa & Costa, 2007).
De acordo com o mesmo autor, o ato de exercitar a motricidade está naturalmente associado a fatores dos domínios cognitivo, afetivo e psicomotor, envolvendo, ainda, outros objetivos específicos como eliminar preconceitos; vivenciar o envelhecimento de forma consciente; vivenciar a sua nova identidade como uma fase do ciclo vital; fazer o idoso viver mais intensamente possível, dentro das suas possibilidades e limitações biológicas; obter saúde e prazer, praticando AF.
Salvador (2004), considera a dança como uma atividade estimuladora, promotora da integração e geradora de movimentos evolutivos e graciosos.
Neste contexto, a dança surge como uma AF que proporciona ao idoso um cuidado com o corpo, mente e também com as relações sociais, pois na maior parte das vezes é realizada em grupo.    
Lord, Ward, Williams e Strudwick (1995), identificam a dança como uma AF recreativa e uma das intervenções de saúde mais significativas na vida das pessoas idosas.
Para Rezende e Caldas (2003), a dança como AF, ajuda a garantir a independência funcional do indivíduo, através da manutenção da sua força muscular.
Costa e Costa (2007), em estudos efetuados, comprovaram que a dança tem benefícios para a saúde física e mental, principalmente em relação aos ganhos relacionados à força, agilidade, flexibilidade, equilíbrio, coordenação motora, atenção, concentração e memória.
Todaro (2001), num estudo, que teve como objetivo avaliar os efeitos de um programa de dança, considerada como AF e de expressão, sobre o estado funcional e o bem-estar físico, psicológico e social de idosos sedentários, concluiu, após o protocolo, que os participantes do programa de dança apresentaram, no pós-teste, níveis elevados de força, flexibilidade, agilidade e resistência aeróbia, quando comparados no pré-teste.
No que se refere aos aspetos psicológicos, este estudo corrobora as evidências do trabalho desenvolvido por O’Brien (1998), que demonstram que um estilo de vida fisicamente ativo pode servir de motivação para os idosos.
Também num estudo efetuado por Miranda, Godeli e Okuma (1996), a pesquisa aponta que a dança, como programa de AF regular, causou melhorias no bem-estar psicológico dos idosos, diminuindo a depressão, sugerindo que a manutenção do bem-estar é proporcionada pelo benefício das atividades físicas (Suominen, 2002) demonstrando que os exercícios físicos feitos durante as aulas de dança promoveram ganhos psicológicos, mostrando o valor psicológico implícito na AF (Shepard, 1987).

Um abraço
Luísa de Sousa